Como o Design Thinking pode resolver todos os seus problemas

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Ainda é cedo em Potsdam, cidade ao sudoeste de Berlim, na Alemanha. Aos poucos, uma das salas da principal universidade local vai se enchendo de alunos com as mais variadas experiências profissionais –desde médicos, passando por engenheiros e programadores, até jornalistas e designers.

Quando o relógio marca 9 horas, um dos técnicos no comando anuncia: “Vamos todos para o lado de fora fazer um aquecimento de pega-pega!” A turma –em sua maioria composta por gente entre 20 e 30 anos– deixa a idade de lado e corre, grita e canta como se todos ali fossem crianças, antes de voltar para a sala de aula e começar mais um dia de trabalho.

O ambiente é, no mínimo, fora do convencional, mas foi assim que passei a maior parte das minhas manhãs entre abril e julho de 2015, quando fiz parte da turma de verão de Design Thinking da HPI D-School, fundada em 2007 em conjunto com a d.school em Stanford, nos EUA.

Mas o que é Design Thinking e qual é o seu propósito?

Os professores na D-School são chamados de técnicos e desde o primeiro dia eles explicam como o Design Thinking não é apenas um processo, mas também uma maneira diferente de pensar, que ajuda aqueles que o utilizam a solucionar problemas práticos de maneira criativa, tendo o usuário como ponto de partida.

E é aí que é explicada a importância de um ambiente multidisciplinar, com pessoas de diversas profissões no processo: o Design Thinking é para ser desenvolvido como um trabalho em equipe, onde todos podem contribuir, independente da formação.

Os pilares do Design Thinking têm como base os chamados “três grandes Ps”: People, Place e Process (Pessoas, Lugar e Processo, em tradução livre).

As Pessoas são importantes no momento de formar equipes multidisciplinares criando um ambiente no qual as ideias fluem além das fronteiras intelectuais de apenas um indivíduo. Esse ambiente estimula a colaboração e a co-criação, possibilitando que mais soluções sejam encontradas para o mesmo problema.

O Lugar também é imprescindível, já que para fluir as ideias precisam de um ambiente de trabalho livre e flexível. Perdi a conta de quantas vezes durante o curso nós abandonávamos a sala de aula para ter reuniões no lago ou na floresta perto da universidade. Eram durante essas reuniões que nossa equipe tinha os melhores insights para os problemas que tentávamos solucionar.

O Processo de inovação do Design Thinking é constituído por seis simples passos, que têm como base a iteração, com uma cultura aberta a erros –“Fracasse logo e fracasse com frequência”, pregavam os técnicos durante o semestre que passei na D-School.

Dentro do processo iterativo, não apenas a inovação, mas a curiosidade e a criatividade são estimuladas. Primeiro, é preciso entender o problema que foi apresentado.

Como? O primeiro passo é fazer a lição de casa. A pesquisa é fundamental nesse estágio e vai servir de guia para o próximo passo que é observar o problema. Isso pode ser feito por meio de entrevistas para ver como a questão é tratada por aqueles que são afetados diretamente e indiretamente por ela.

Uma vez completada a fase inicial, chegou a hora de definir o ponto de vista. É assim que você vai demonstrar o seu entendimento do problema –muitas vezes, a conclusão chegada nesse estágio é completamente diferente da questão apresentada inicialmente.

A partir do momento em que o ponto de vista for definido, chegou a hora de idealizar uma solução para ele. O Design Thinking oferece diversos exercícios que podem ajudar nisso, mas o principal elemento de todos eles é criar um ambiente livre de julgamento, onde qualquer ideia é válida e tem espaço para ser desenvolvida.

O meu exercício favorito para essa fase é um grande brainstorm com a equipe toda, onde cada um vai escrevendo ideias aleatórias em post-its, que serão depois discutidas e avaliadas por todos até apenas um conceito ser escolhido como resposta ao problema.

Quando a solução da equipe estiver definida, chegou a hora de fazer um protótipo. É esse protótipo que será usado na fase final do processo: a hora do teste.

Este pode ser o fim ou o recomeço de tudo, já que se após o teste sua equipe perceber que a solução não funciona, você terá de voltar atrás –talvez para redefinir seu ponto de vista ou pensar em alguma outra ideia que atenda melhor às necessidades do usuário.

Por mais trabalhoso que seja, o processo do Design Thinking é muito gostoso de se fazer e, acima de tudo, enriquecedor –tanto na esfera pessoal como na profissional. Dificilmente você terá a oportunidade de trabalhar em conjunto e aprender tanto com pessoas que são, ao mesmo tempo, tão diferentes e tão iguais a você.

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